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Urânia Munzanzu

 Francisco "Maoma" Faria

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A Acarajé Filmes é uma produtora audiovisual que tem origem na Bahia, olhos voltados para o mundo e interesse em diálogos sul-sul. Produz narrativas comprometidas com questões de raça, gênero, equidade e diversidade desde a diáspora, em territórios da América Latina, África e Caribe. 

 

Formada por uma equipe de maioria negra, queer e de mulheres, a Acarajé Filmes atua no mercado audiovisual pensando e produzindo narrativas negras que contribuem para construção de novos repertórios e modos de fazer cinema, sempre com compromisso de fazer filmes enquanto cria redes, trocas artísticas e experiências transatlânticas de inovação com e entre parceiros criativos, histórias e pessoas, compromisso que tem se traduzido em importantes premiações e reconhecimento no setor.

 

São mais de trinta filmes assinados por Urânia Munzanzu e Maoma Faria, entre ficções, documentários, clipes, webséries, entre outras produções audiovisuais nacionais e internacionais.

quem faz

Urânia Munzanzu

Roteirista e Diretora

FRancisco

MAOMA FARIA

Diretor de Fotografia

Urânia é poeta, roteirista, diretora e produtora. Nascida no pelourinho, é CEO da Acarajé Filmes, fundadora da Frente Marginal de Arte Negra e mestre em Antropologia (UFBA).

 

Comprometida com as tecnologias negras das crianças e das mais velhas, Urânia Munzanzu faz cinema como quem tempera. Neta de baiana de acarajé, com seu cinema de cozinha, produz narrativas sensíveis sobre gentes negras, com articulação transatlântica entre as políticas construídas por mulheres negras no Brasil em diálogo com Caribe e África. A menina do Jeje atua em produções nacionais e internacionais premiadas, e tem como compromisso ético-estético a denúncia do sistema racial do mundo e a contribuição com outros pactos civilizatórios. 

 

Dirigiu 'Na Volta Eu Te Encontro' e 'O Primeiro Beijo', além dos longas documentais Candomblé e Mulheres Negras em Rotas de Liberdade. Recebeu o Prêmio Canal Brasil no Festival de Gramado por 'Na Volta Eu Te Encontro', entre outros.

Maoma Faria é diretor de fotografia e pertence a uma geração que ajudou a consolidar a fotografia cinematográfica na Bahia. Filho do cineasta Lázaro Faria, uma das figuras históricas do audiovisual baiano, cresceu dentro do cinema e aprendeu desde cedo que a câmera é também uma forma de pertencer a um lugar.

Em certa de 30 anos de trajetória no audiovisual, com passagem por documentários, ficção, videoclipes e televisão, desenvolveu como diretor de fotografia e operador de steadicam, um estilo marcado por movimentos fluidos, câmera próxima dos corpos e atenção às manifestações culturais afro-baianas. É sócio da Acarajé Filmes e co-assina produções nacionais e internacionais ao lado de Urânia Munzanzu.

 ¹ Cinema de cozinha é o método de fazer cinema de Urânia Munzanzu.

cinema de cozinha

Cinema de cozinha é um cinema que precisa de muitas mãos pra existir. É o método que Urânia Munzanzu desenvolveu pra nomear o lugar de onde ela cria, ancorando as estéticas e as políticas do cinema negro a partir da perspectiva de mulheres negras. Ele nasce da necessidade política das mulheres negras narrarem as próprias histórias. Existe pra saciar a fome; a vontade de cruzar um caminho de volta pra casa. Uma possibilidade de costura entre o Brasil e o continente africano. Uma ruptura de um discurso colonial cheio de buracos. Uma história com muitas linhas e lenha no fogão.

A cozinha é o alicerce de tudo, a estrutura que organiza a casa, a raiva, a luta e o recomeço. É lá que mulher reza, sustenta, vende quitanda, cria filho sozinha se precisar. É cozinha de santo também, onde se oferece o que tem de melhor pro santo comer, onde se mata a fome do corpo e também de outra ordem. É poder alimentar a ancestralidade dando de comer pro ori, pro corpo, pro espírito e pra comunidade. A cozinha sempre foi o território possível pras mulheres negras criarem levante. Não é o fundo da casa, é o passado, o presente e o futuro. Essa cozinha não tem nada de subalterno. É território de poder. Tem identidade, gosto e textura.

O método é como um tecido, vários fios se tecendo até virar um pensamento em imagem, uma trama que veste e protege quem tá dentro dela. Quem filma entra no espaço, fica no território, deixa se tecer junto com quem é filmado. O cinema de cozinha chega pelo cheiro, pelo corpo, pelo sentido. É preciso haver sentido no que se faz.

Foi uma mulher pedindo, na rua, pra ser filmada, quem deu a Urânia o nome de cineasta. Vem de dentro do fazer, do encontro e do afeto. Mulheres negras sempre nomearam tudo, inclusive pra dizer quem eram. O cinema de cozinha segue esse caminho: nomeia quem filma, nomeia quem é filmado, nomeia o próprio jeito de fazer. Nomeamos pra dizer quem a gente é.

A revolução que nasce pelo caminho da arte, da beleza, da estética, da narrativa. Criar o próprio fogo pra poder cozinhar, contar histórias que coloquem no mundo uma contranarrativa do que existe sobre imagens e discursos da comunidade negra. Um compromisso político de contar essa história em movimento, uma história que começa há um oceano de distância. São mulheres negras sendo fogo, cozinha, afeto, comunhão e alimento que fazem o cinema de cozinha. E é também um convite pro mundo ver o que se move quando uma mulher negra se movimenta. O cinema de cozinha é um caminho de continuidade da linguagem, política, estética e existência da comunidade negra afro-brasileira.

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© Acarajé Filmes

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